quarta-feira, 28 de novembro de 2012

complexidade em nós


É bom olhar pela janela, avistar toda aquela chuva imensa que escorre pelos vidros e que em seguida embacias com a tua forte respiração. Sorris aliviado, mas um pouco entediante. É por ali que ficas, contudo, deveras pensativo. Há alturas da vida que estás coberto de nós a que não consegues soltar-te por mais que te esforces, e tu sabes o quão é difícil manter-se vivo, manter-se forte, porque um ser humano embora tenha a capacidade de proteger a mágoa que sente para dentro de si, um dia chega ao limite e desprende-se enraivecido. As fases da vida são enervantes, tal como o nosso estado de espirito, num dia coberto de armaduras, noutro completamente desprotegido. Nós somos deste jeito, pessoas complexas e agressivas. A vida acaba constantemente por nos desafiar em grande, e nem sempre conseguimos estar á altura dela, não temos sequer coragem de sair de casa e enfrentar qualquer caminho por mais curto que seja. Que ignorância da nossa parte, que complexidão! Há dias que tudo nos apoquenta, ou porque o café da manhã está quente, ou porque faz frio, ou por tudo ou por simplesmente nada. Às vezes sentimo-nos múltiplos, emaranhados, presos numa estrondosa tempestade de sentimentos vazios, perdidos como ninguém, como se passássemos pelo desconhecido. Mas isto são fases que existem em nós, porque em seguida é como se uma parte da nossa memória tivesse sido levada pelo vento para o outro lado do mistério, e nós voltaríamos a onde pertencemos. A vida é fugaz, veloz, sem medos para nos prender onde quer que seja.

 

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